quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Morreu Maria Clara a grande Intérprete da canção “Figueira da Foz”


A cantora Maria Clara morreu, ontem, aos 85 anos de idade.Segundo o site da Rádio Renascença, por sua vontade expressa, o funeral, realizado esta tarde no Porto, teve carácter restrito.

Uma das primeiras estrelas da rádio portuguesa, Maria Clara foi uma das principais influências de colegas de geração como Júlia Barroso e Maria de Lourdes Resende. Isto porque se estreou na rádio muito antes delas, embora a sua carreira se tivesse iniciado no teatro. Mais precisamente, na opereta: com a Costureirínha da Sé, estreada no Porto em 1943, que fez o nome de Maria Clara.



Curiosamente, Maria Clara era lisboeta. Nascera na capital em 1923 e foi aí que foi descoberta para a vida artística, através das suas participações nas montagens amadoras do Grupo Dramático e Escolar Os Combatentes. Uma vez no Porto, Maria Clara (nome artístico, pois o seu verdadeiro nome era Maria da Conceição Ferreira) acabaria por conquistar não apenas o coração da cidade, com a Costureirinha da Sé a manter-se três meses em cartaz com lotações constantemente esgotadas, como também do médico César Machado, que a pediria em casamento. Maria Clara faria do Porto a sua cidade, deslocando-se contudo a Lisboa sempre que o trabalho o exigia.

Apesar da sua popularidade no teatro - carreira que manteve durante seis anos - a Emissora Nacional começou por se recusar a contratá-la, alegando que a sua voz era "pouco radiofónica". Contudo, A Moleirinha acabaria, em 1945, por convencer o júri da estação e Maria Clara tornar-se-ia numa das mais populares artistas do elenco da Emissora, recebendo em 1946 o primeiro prémio do Concurso de Cantadeiras e o primeiro prémio do Concurso de Artistas Ligeiros da Rádio. Em 1953, foi eleita representante portuguesa no Festival Internacional da Rádio, em Marrocos.

Entre as suas criações, gravadas em quase duas centenas de discos, contam-se Figueira da Foz, Marcha do Centenário ou Ó Zé Aperta o Laço. Pouco disposta a dar entrevistas, foi contudo artista de uma rara popularidade e longevidade.

9 comentários:

pb disse...

Só uma nota lateral. Maria Clara era mãe do conhecido Psiquiatra potuense Júlio Machado Vaz.

Rogério Neves disse...

Julgo que sim, pelo menos tenho ideia que há uns tempos atrás ouvi o Dr Julio Machado Vaz dizer que Maria Clara era sua mãe.

Anónimo disse...

Caríssimo Rogério Neves
Estou em condições, para afirmar que Maria Clara era mãe de Júlio Machado Vaz, e filha do Dr. Bernardino Machado, patrono da nossa Escola Secundária nº 1.
Lamento o seu desaparecimento, mas lamento, acima de tudo, a não-notícia por parte dos órgãos da comunicação social, nomeadamente a televisão.
Se fosse alguma notícia da treta, seria objecto de abertura dos telejornais...
É este, o país em que vivemos.
Abraço
CÊÉME

Vitor Medina disse...

Amigo Rogério

Maria Clara não era um "símbolo nacional", por isso não mereceu grandes notícias pelo seu desaparecimento. Todos sabemos que, infelizmente, a gratidão não é um dos sentimentos da Figueira da Foz. Pode ser que algum dia, a propósito de qualquer "coisa", se arranje um viela ou uma travessa para recordar a criadora da conhecidíssima canção da Figueira da Foz.
Um abraço
Vitor Medina

Rogério Neves disse...

Caro Vitor Medina

Concordo consigo. A Figueira da Foz nesse aspecto é um dos mais bizarros exemplos. Presta-se homenagem a quem nunca fez nada por esta cidade e atiram ao esquecimento grandes vultos que deviam ser motivo de orgulho.
Sobre Maria Clara, esta simpática senhora cantou muitas vezes no velho salão da Naval aquele que desapareceu tragicamente. Pois durante muitos anos numa das paredes do salão esteve perpectuado o nome da Senhora D Maria Clara por cantar o tema da Figueira da Foz e por cantar na Naval. Creio mesmo que havia relação de grande amizade com a familia de Manuel Artur dos Santos que foi dirigente da Naval muitos anos.
Penso que também no Casino da Figueira existe uma placa a homenagear a senhora.

Anónimo disse...

Caríssimos Rogério Neves e Vitor Madina
Talvez concorde parcialmente com a vossa opinião. Contudo, jamais a badalada canção da Figueira da Foz não estava ligada a essa voz e a essa figura. Alíás, o seu curriculum não sendo vasto, também não era tão exíguo que não merecesse notícia. Agora, terão mais valor as quezílias das palhaçadas do "big-brother", a morte daquele puto que fez uns episódios numa novela, o espancamento de uns desordeiros no bairro da pedreira dos húngaros, um negro que levou tareia da polícia por estar a roubar...
É A COMUNICAÇÃO SOCIAL QUE TEMOS...

Anónimo disse...

Não é verdade que Maria Clara fosse filha de Bernardino Machado.

Anónimo disse...

Caríssimo anónimo das 21.25 h. de 05.set.2009, e também a todos os "marchantes".
Peço desculpa pela involuntária e precipitada informação, pois, na verdade, a saudosa MARIA CLARA era neta, por afinidade, do Dr. Bernardino Machado. O seu marido, esse sim, o Prof. Catedrático Júlio Machado de Sousa Vaz, é que era neto do insigne presidente.
Abraço bloguista marchante.

Rogério Neves disse...

Dois recados.
Quando colocamos este post era na pura intenção de homengear uma senhora de quem sempre ouvi falar por ser a interprete de uma tema que particularmente adoro por ser a canção da minha cidade. Entretanto um anónimo quis dar uma achega e deixou indicações da familia da Senhora. Logo outro anónimo (21:25 ) convictamente veio afirmar que não era verdade.
Senhor anónimo o meu excesso de democracia por vezes dá-me para isto. Se o amigo tao convictamente afirma que a Senhora não era filha de Bernardino Machado, poderia no minimo, não lhe ficava nada mal elucidar os visitantes do Marcha do Vapor e dizer quem eram os familiares directos da senhora ainda por cima figuras de referència nesta cidade.
Aliás o que fez o anonimo das 0:00 de 7 Setembro, o que desde já agradeço.
São formas de estar... eu sei mas, não apreciei a atitude.