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A tradição da Noite de Reis na Figueira da Foz cumpre-se com dois cortejos e seis reis magos que convergem de dois pontos opostos para o presépio na baixa da cidade, anunciou hoje a autarquia.
Pela primeira vez em muitos anos, a Câmara Municipal apresentou hoje o programa do Cortejo dos Reis, na prática dois cortejos, cada um com três reis magos e dezenas de figurantes, promovidos pelas sociedades filarmónicas Figueirense e 10 de Agosto.
"[A iniciativa] tem a particularidade de ser praticamente única na região", disse hoje aos jornalistas o presidente da Câmara, João Ataíde. Admitiu ainda que dois cortejos com seis reis "não só é único, como duplamente original".
Questionados pela agência Lusa sobre o porquê de manterem dois cortejos, com organizações distintas, que convergem para um presépio único, na praça 08 de Maio, perto da Câmara Municipal, responsáveis das duas coletividades sustentaram que assim se cumpre a tradição da noite de 05 de janeiro que, em tempos, assinalava a rivalidade existente entre as duas coletividades, ambas com origens no século XIX, a Figueirense em 1842 e a 10 de Agosto em 1880.
"Desde sempre, a tradição é existirem dois cortejos e cada um fazia-o à sua maneira: havia anos em que se ignoravam um ao outro, se um levava um burro, o outro queria levar um cavalo; se um tinha 20 músicos, o outro tinha de ter 30", disse Alfredo Lopes, da comissão administrativa da 10 de Agosto.
"Se queremos manter a tradição do Cortejo dos Reis, temos de manter dois cortejos", reafirmou Alfredo Lopes, destacando a "importância" da manutenção da tradição na memória coletiva da cidade.
De acordo com o programa hoje apresentado, o cortejo da Sociedade Filarmónica Figueirense sai da estação da CP cerca das 20:30 de dia 05 de janeiro e percorre parte da avenida Saraiva de Carvalho e rua da República até ao presépio.
O cortejo da Filarmónica Dez de Agosto, parte da Ponte do Galante, junto à praia, percorre o chamado Bairro Novo, perto do Casino e ruma à zona ribeirinha, onde se situa o presépio.
O cortejo da Filarmónica Dez de Agosto, parte da Ponte do Galante, junto à praia, percorre o chamado Bairro Novo, perto do Casino e ruma à zona ribeirinha, onde se situa o presépio.
Sem possuir, atualmente, banda filarmónica, a 10 de Agosto "socorre-se" da fanfarra dos Bombeiros Voluntários, "que faz um `cagaçal` maravilhoso", elementos dos escuteiros como figurantes e animais diversos, desde cavalos a outras espécies de zonas rurais do concelho.
Carlos Nunes, da direção da Filarmónica Figueirense, sustentou que o Cortejo dos Reis "é feito por duas coletividades e cada uma apresenta o seu cortejo, de acordo com a criatividade de cada uma" mas negou que a rivalidade de outrora se mantenha.
"Não estamos de costas viradas", frisou.
No presépio, os reis vão oferecer prendas ao menino Jesus e doces às crianças e representar excertos do Auto dos Reis Magos. A peça teatral será, depois dos cortejos, apresentada na íntegra, na sede da Filarmónica Figueirense.
O presidente da Câmara, João Ataíde, sublinhou a "tradição muito portuguesa" da "rivalidade saudável" entre as duas coletividades promotoras, frisando que esta tem origem em "dissidências" políticas dos finais do século XIX.
Via RTP Notícias


1 comentário:
Boa noite, penso que está trocada a informação. Quem sai da estação da CP é a Figueirense e não a 10 de agosto.
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