segunda-feira, 24 de abril de 2017

AOS ESPERTOS, CABE-LHES COMER OS FIGOS E AOS TOLOS, ARREBENTA-LHES A BOCA

     Há um crucial ponto na Cidade, produto do cruzamento de dois segmentos de recta. Um com origem no café Nau e o outro, com origem na sapataria Quaresma. Local, onde durante muitos anos, se reuniram os coriáceos amantes do futebol da Associação Naval 1º Maio, para discutir as diatribes da arte do chuto e fundamentalmente, para discutir o melhor modo de fazer subir ao Olímpio, o futebol do Clube. Por ali, também, em tempos de campanha eleitoral, os coriáceos amantes, decidiram sempre, que votar no Presidente Aguiar, era o melhor modo de fazer subir ao Olímpio, o tal futebol. Algumas vezes cruzei o ponto, cumprimentando uma ou outra personagem, a quem já tinha, meritoriamente, convencido de que havia mais vida para lá do chuto no coiro. Os restantes, olhavam-me com manifesto desprezo e enfado, porque eu era o tolo e chato rapaz dos barcos. Infelizmente, esses coriáceos amantes, nunca perceberam que o futebol, é um negócio onde só podem mandar um punhado de corifeus, que tendem a sugar recursos e instituições, para um poço sem fundo, com vista a saciar os seus multíplices apetites, ainda que em redor do negócio, (no ponto em referência, estacionaram por lá alguns), se arregimentem, na esperança de um vã momento de glória, os muitos lugares tenentinhos, que com mais ou menos talentos, se apresentam como pequenos vassalos dos coronéis, (os grandes titãs do negócio).

     Em 1993, num texto escrito para o jornal do centenário da A. Naval 1º Maio, e muito discutido internamente, veementemente critiquei as opções do Clube. E o tempo confirma, que hoje, o menor dos males, é a descida da equipa de futebol sénior ao campeonato distrital, porque a grande tragédia da Instituição, (a factura chegou), ainda que centenária, é não ter uma sede social própria, um parque desportivo dedicado, uma direcção que defina uma boa politica desportiva e social e que retome o bom nome do Clube. E ainda, não ter uma base social de apoio, de onde brotem em permanência, os quadros necessários para manter uma boa politica desportiva, e simultaneamente, não ter também, capacidade para chegar às fontes de financiamento, e que, finalmente, em permanência, risca a sua própria historia. Estamos, pois, perante uma instituição exangue.

     Dir-me-ão, que zurzir agora nos mortos, já não tem utilidade. Mas eu entendo o contrário, porque apesar dos anos, é preciso perceba que as decisões impostas e desenhadas nos gabinetes da Câmara Municipal e sufragadas pelos vivos de outrora, não foram pequenos episódios. Antes pelo contrário. Permitiram que um pequeno grupo de biscainhos, comesse candidamente os figos, porque nas soluções então encontradas, tudo vinha com adequado lucro, enquanto à Centenária Associação, enxovalhada e sacrificada, rebentaram-lhe os lábios e hoje, já poucos, por Ela, sentem alguma compaixão. 

     É certo que se finaram a maior parte dos intervenientes deste doloroso processo de abalamento, mas de todo o modo, no mínimo, pede-se, a quem pode, solução para acabar com aquele espaço Municipal desgraçado, (o degradante, vergonhoso e imundo, Complexo Desportivo Municipal), que hoje, pertence à classe da arqueologia desportiva, mas, pasme-se, é, contudo, a sala de visitas do desporto da Cidade. E quanto à velha Associação Naval 1º Maio, receio bem, que quase indefesa, pouco falte para entrar no role das colectividades, afectas, também, à arqueologia, ainda que, com história social e desportiva. Contudo, no pós – moderno, até a arqueologia deve ser protegida. Não sei se me entendem.

Augusto Alberto.

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