quinta-feira, 20 de abril de 2017

O HORTO MUNICIPAL



Na reunião de câmara realizada ontem, o horto municipal foi tema de aceso debate. 
Já deixei aqui a intervenção do Luís Pena, meu Amigo e velho companheiro de lutas várias, há dezenas de anos. 
Luís Pena, ontem, teve uma prestação notável. Começou com uma intervenção, feita no decorrer do período destinado ao público e João Ataíde, e todos os vereadores da situção, e alguns da oposição, participaram na discussão do tema.
Depois, Luís Pena contextualizou a questão no decorrer do tempo, enaltecendo a participação dos cidadãos na defesa dos terrenos adjacentes ao parque de campismo municipal – o horto municipal e 18 mil metros quadrados, no topo norte – , em defesa do corredor verde da cidade, entre as Abadias e a Serra da Boa Viagem. Tudo começou não em 1997, como muitos pensam, mas em 1977. 


Desde aí, milhares de figueirenses  tiveram de se mobilizar de várias formas, também de petições, contra a construção no corredor verde da Abadias, contra o fim (que esteve anunciado...) e a favor da preservação do Horto Municipal.
Foram décadas de luta, repito desde 1977, até chegarmos a 2017 e na sequência da revisão do Plano Diretor Municipal (PDM), um presidente que caiu na Figueira em 2009, meramente por um acaso, considerar um espaço emblemático para gerações e gerações de figueirenses, o“enclave” do horto. Foi assim que lhe chamou João Ataíde, presidente da Câmara da Figueira da Foz que, no entender de Luis Pena e de quem concorda com ele, ameaça o corredor verde.

Como noticiado na imprensa, nomeadamente no jornal  As Beiras, a Foz Plaza está interessada em ampliar as instalações para a zona do horto municipal, que o PDM contempla como urbanizável, para captar lojas-âncora, prometendo criar cerca de dois mil postos de trabalho. O habitual.
A maioria socialista, porém, segundo já se sabia e ontem foi publicamente declarado, não teme que a área em questão  comprometa o corredor verde ou o parque de campismo. 
Para a maioria socilalista, o relevante é a hasta pública do terreno, que  poderá representar um encaixe de, no mínimo, de 1,5 milhões de euros, que, garantiu João Ataíde, "serão aplicados na várzea de Tavarede, para onde a autarquia quer transferir os serviços do horto e criar novas áreas de usufruto público"
Bom de ver mesmo, foi ter presenciado as intervenções dos  vereadores socialistas António Tavares e Carlos Monteiro, para justificarem a mudança de opinião, reportando-se aos tempos em que eram oposição. 
“Hoje, não me repugna que parte do horto seja para a ampliação do Foz Plaza, dependendo daquilo que se pretenda fazer”, afirmou António Tavares. 
“Não me oporei que aquela zona do horto possa levar uma dentada para uma zona comercial”, disse por seu lado, Carlos Monteiro.
Há contradições insanáveis!.. 
Teresa Machado, do PSD, que em 2007 votou contra a inclusão dos 18 mil metros quadrados no parque de campismo, com declaração de voto, por sua vez, numa intervenção sentida e emocionada realçou.
“Não sei porque houve uma necessidade absoluta para dois vereadores se justificarem”. E continuou:  “não mudei de opinião e não preciso de estar a justificar-me”. E advertiu: “nesta situação vai cometer-se um tremendo erro, se for permitido o aumento do espaço comercial, porque vai acontecer o mesmo que aconteceu com o Edifício O Trabalho!”
Claro que Luís Pena, e quem o tem acompanhado desde 1997 - alguns já estão nesta luta desde 1977 -  continuam preocupados, ainda para mais quando os argumentos apresentados pela maioria socialista são os apresentados ontem na reunião de câmara.
Portanto, senhor presidente Albino Ataíde: “acabe com o "enclave": os "enclaves" são sempre motivo de batalhas…”
Como diria o outro, a brincar a brincar "lixou" o macaco a mãe...
Os que continuam a defender o corredor verde sabem que, de “dentada” em “dentada”, aquela zona da cidade, autêntico "pulmão ao verde", a não ser travada esta pretensão desta maioria absoluta de Albino Ataíde, acabará por ser “devorada” pela gula do pato-bravismo do betão. 
E lá vão ser escorraçadas as borboletas do espaço do Horto Municipal!
Também, que se lixem as borboletas!.. Importante, é um encaixe de, no mínimo, de 1,5 milhões de euros...
A proposta é tentadora! 


A TODO O VAPOR: - Confesso (e quem confessa o seu pecado merece perdão) que não tenho dado a devida atenção a este caso da possível transladação do Horto Municipal do actual "poiso" para a Várzea de Tavarede.
Quero começar por referir que não apanhei a meada do principio e por isso me servi dos "posts editados pelo António Agostinho (perdoa-me António o oportunismo de me servir do teu trabalho) para me elucidar do que se está a passar ou vai passar.
Quero desde já frisar que também eu sou um defensor do corredor verde. Com horto ou sem horto naquele local não gostaria de ver ser erigido mais uns quantos blocos de cimento armado. Todavia como resido nas proximidades do local também não gosto de ver o estado de abandono ou poesio dos terrenos da Varzea de Tavarede.
Tenho acompanhado a defesa feita pelo Dr Luis Pena do "Corredor Verde" com cujos argumentos me identifico.
O Cifrão ou o €uro não podem determinar o progresso ou o retrocesso de uma cidade mas confesso a minha estranheza como em meia duzia de anos se pode mudar de opinião conforme se seja poder ou oposição, mas na politica também já nada me espanta.
Hoje recordo a propósito duas personalidades figueirenses - Rui Alves e Zé Martins - a quem muitas vezes ouvi questionar "Quando teremos uma Camara cujos membros olhem em primeiro lugar para a cidade e depois para a politica" ... Julgo que a questão continua pertinente. 

3 comentários:

Anónimo disse...

Os espaços abandonados ou em poisio da Várzea Tavarede e São Julião estão à 20 anos à espera do Parque Urbano Verde da Cidade conforme compromisso assumido por diferentes executivos Camarários, sejam amarelos ou laranjas, e como está identicado na entrada da Cidade com a Placa "Futuro Parque Urbano". Ao invês tem instalado legos de betão como seja o Pingo Doce, Quartel de Bombeiros, AKI, LIDL e outros legos de betão se avizinham com a benção legalista da CMFF e a conivência por amorfismo da JFTavarede. De referir que o corredor verde desde o Quintal Ferreira até terreno das Águas da Figueira estão implantadas cerca de 150 Hortas que estarão em risco devido à pressão de construção sobre estas e o Ribeiro de Tavarede. Aquando da construção do AKI o Ribeiro foi alvo de descargas poluentes causando danos irreversíveis nas Hortas que dependem da água do Ribeiro... Enquanto não emaninharem o Ribeiro de Tavarede não descansam e os Poderes Públicos assobiam para o lado...

Rogério Neves disse...

Gostei do comentário do anónimo das 12:43 pela forma como expões a sua opinião e nos mostra o seu conhecimento sobre a situação. Já gora se me permite esclareça-me de uma coisa: Os terrenos à entrada da cidade onde existe a tal placa de "Futuro Parque Urbano" esses terrenos podem considerar-se como Varzea de Tavarede?
Eu julgava e me perdõe a ignorância que a Varzea de Tavarede ficaria para norte do Quartel do Bombeiros MUnicipais mas pelos vistos estou equivocado.
Desde já agradeço o esclarecimento.

Anónimo disse...

Várzea Tavarede é até à Escola Cristina Torres (sendo a Escola já São Julião e agora Buarcos...) e os terrenos da Misericórdia até à entrada da Figueira é Várzea São Julião tal como a ladeira da Várzea. Mais corretamente por estupidez dos nossos eleitos é actualmente Várzea de Buarcos...