segunda-feira, 1 de maio de 2017

NAVAL DO VERDE DA ESPERANÇA AO NEGRO DO FUTURO


Estão passados 124 anos do dia em que um grupo de operários fundou a Associação Naval 1º de Maio, numa modesta casa, onde os bancos eram caixotes, a sala iluminada por uma vela espetada no gargalo de uma garrafa.

Anos mais tarde o poeta Carlos Sombrio, que se tornou seu presidente numa das suas obras literárias referenciaria “Associação Naval 1º de Maio, obra sonhada do povo, erguida pelo povo, mantida pelo povo – será eterna como a alma do próprio povo.”
Nasceu azul, mas em 1911 passou o verde a ser a sua cor predominante e hoje apesar daqueles que a representam desportivamente vestirem de verde, escreva-se que o negro é a cor que anuncia o seu futuro.

A centenária Naval passa pela maior crise da sua história, sem direcção, sem apoios, vergada a dois processos judiciais que visam a sua insolvência, completamente ostracizada pela população e forças vivas da cidade que a viu nascer.

O incêndio de 1997 reduziu a escombros a sua sede e património histórico, nunca mais o clube da Figueira da Foz conseguiu levantar a cabeça e mesmo quando aventuras utópicas anos mais tarde empurraram o clube para um quadro competitivo megalómano, toda a gente sentiu que essas aventuras serviriam de cadafalso a um futuro que se reporta de dramático e negro onde não será de excluir a breve prazo a sua extinção.


A mais antiga tradição do clube 

Uma das maiores tradições da Naval 1º de Maio era a sua vertente eclética, ano após ano esse ecletismo desfez-se e hoje o quadro competitivo resume-se a duas modalidades o remo e o futebol. Depois de competir em todos os quadros futebolísticos nacionais, incluindo os profissionais, 52 anos depois a Naval cai nos campeonatos distritais mais pobre do que nunca.

Sem património, sem direcção, apenas meia dúzia de carolas tentam assegurar a formação desportiva quer a nível futebolístico quer a nível do remo. Apesar da paixão clubística a questão coloca-se diariamente … será que amanhã conseguiremos abrir a porta?

Ontem cerca de meia centena de convivas reuniram-se para levar a cabo aquela que é a mais antiga tradição do clube A Ceia Navalista. Uma tradição antiga que leva à mesa o bacalhau com todos, vem do tempo em que o bacalhau era considerado o fiel amigo.

Pelas zero horas cantou-se o hino, algumas lagrimas soltaram-se quando se entoou o refrão, Viva a Naval….Viva a Naval…


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