quarta-feira, 25 de abril de 2018

EU QUERO RECORDAR ABRIL...25 DE ABRIL SEMPRE!!!



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Onde estava eu no dia 25 de Abril de 1974

Durante a noite de 23 para 24 de Abril de 1974 de nada me apercebi. Como era usual ao quarto para as oito da manhã do dia 25 lá fui em direcção aos Estaleiros Navais do Mondego, empresa onde trabalhava.  Mal lá cheguei alguém me disse em surdina “passa-se qualquer coisa andam à trolha em Lisboa”

Sinceramente entrou a 100 e saiu a 120. Cerca de 30 minutos mais tarde entrou o Carlos Batista  completamente esbaforido na secção de Caldeiraria e começou a gritar “ é malta há golpe de estado o Marcelo caiu”

Olhávamos uns para os outros sem perceber de facto o real alcance daquelas palavras, contudo, cerca das 10 horas dois aviões começaram a sobrevoar o a ponte (velha) do Rio Mondego.

Sem sabermos bem o que se estava a passar a nossa apreensão aumentava até que o Batista novamente como arauto da notícia apareceu a dizer “as forças armadas deitaram abaixo o governo é necessário que a malta avance para a porta do quartel em apoio aos militares".

É neste preciso momento que eu e toda a malta nos apercebemos do que verdadeiramente se passava. O governo havia caído e o povo tinha agora de fazer a sua parte, apoiar a queda do fascismo.

Eu não tive a noção do tempo que passou, o que sei é que a malta começou a correr para a saída do Estaleiro uns de carro outros de bicicleta ou motorizada e também alguns a pé o que sei é que passado pouco tempo estávamos praticamente todos (raras foram as excepções) à porta do RAP 3 a gritar  de viva voz Vivas ao MFA.

Hoje é doloroso fazer esta retrospectiva. Para quem como eu acreditou na Revolução de Abril, ver ao que este país isto chegou, e mais dificil ainda ver aqueles que sempre denegriram Abril arvorarem-se de Campeões da Democracia, repito, é muito doloroso e acima de tudo frustrante.

Estou perto dos 70  e já vivi três grandes momentos na minha vida.

- O dia em que me casei e tomei consciência que tinha que ser um homem responsável, estava a construir uma família.

- O dia em que fui pai, tinha ainda de ser mais responsável, pois queria ser bom pai e um bom exemplo para a minha filha.

- O terceiro momento foi ter vivido a Revolução de Abril. Ver uma guerra colonial a acabar, ver a PIDE a estrebuchar e ver a Democracia a crescer.

- Três coisas que nunca vou esquecer.

Mas infelizmente tudo na vida tem um senão. Se nos dois primeiros momentos importantes da minha vida, julgo ter cumprido com a minha obrigação, já na preservação da Democracia penso que falhei, eu e falhámos todos os que viram chegar a esperança que Abril trouxe, pois não conseguimos preservar aquilo que o MFA e outros lutaram (muitos até deram a vida) nos concederam, a Democracia e a Liberdade.

É um facto que hoje sentimos da parte de quem nos governa um cheirinho muito ténue do que foi Abril. Durante os 40 anos um período a que alguns chamaram Democracia fomos assaltados e vilipendiados e massacrados por Governos de pseudo esquerda, direita , blocos centrais de fascistas envergonhados de se assumirem tal como eram e sempre foram.

Muitos aproveitaram para montar com o beneplácito de governantes esquemas mafiosos onde  a corrupção era a palavra de ordem. A justiça constituiu-se uma montanha de injustiça, o sistema económico através de alguns bancos e banqueiros entram em falências fraudulentas e como sempre  o povo é quem paga.  A banca privada cada vez aumenta mais os seus lucros, os impostos na classe mais pobre são um tormento, O Serviço Nacional de Saúde é o que é e o sector da educação é completamente aniquilado pelo ensino privado a funcionar com os dinheiros que por direito pertenceriam ao sector público.

E para completar o quadro desta democracia podre ainda temos de aturar papagaios de merda e paineleiros diariamente vão à televisão fazer propaganda que lhe interessa e denegrir o espirito de Abril.


25 DE ABRIL...SEMPRE


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