domingo, 8 de abril de 2018

OPINIÃO...JOÃO VAZ

"Está em discussão pública a requalificação do centro histórico de Tavarede. Diga-se que tanto quanto sabemos a discussão limita-se à consulta dos documentos na internet. Sabe a pouco para um documento com impacto na “polis”. O documento onde consta “a proposta de requalificação” é longo (142 páginas) e algo repetitivo. 

Os desenhos e figuras, contudo, auxiliam na visualização do que se pretende em termos genéricos. Em traços gerais, a câmara municipal quer preservar as faixas agrícolas (hortas urbanas) e o património, criar incentivos à reabilitação de edifícios (privados e públicos) e ainda implementar os modos “suaves” de mobilidade. E aqui surge a primeira preocupação, os textos da proposta são vagos quanto às formas de humanizar os espaços e reduzir a carga automóvel. A palavra “bicicleta”nunca é referida no documento. 

A ciclovia desenhada é mais um fragmento e tem um carácter lúdico, desligado da mobilidade. Ou seja, o compromisso da câmara é reduzido quanto à “mobilidade suave”, ilude-nos com textos sofisticados mas sem conteúdo. A forma como a rua principal que atravessa o centro de Tavarede, apertada, em mau estado, será requalificada é um mistério. Nada de concreto, haverá um ou dois sentidos? Como são integrados peões e ciclistas? Qual a forma e largura dos passeios? 

Assim, é de supor que a câmara municipal irá fazer “mais do mesmo”, obras destinadas a manter tudo como está, aplicando apenas uma camada de verniz e algum mobiliário urbano."

Esta crónica foi publicada ontem no jornal AS BEIRAS
Outra Margem

.

Sem comentários: