sábado, 21 de julho de 2018

COMO É POSSÍVEL QUE O S N S PODE PRESCINDIR DE UMA PERSONALIDADE DE NIVEL MUNDIAL

Na “última lição”, Manuel Antunes fez um resumo do seu percurso de vida pessoal e profissional e aproveitou para agradecer aos seus “mestres”, à sua equipa e, especialmente, à sua família.

“É estranho que amanhã [hoje] não possa voltar ao meu serviço para operar, quando tenho convites para operar em várias partes do mundo”, disse Manuel Antunes, ontem, durante a sua “última lição”. Com a cerimónia de jubilação, Manuel Antunes despediu-se das suas funções de diretor do Centro de Cirurgia Cardiotorácica do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), por ter atingido os 70 anos, limite de idade que obriga o cirurgião a deixar de trabalhar no Serviço Nacional de Saúde (SNS), ao qual dedicou os últimos 30 anos da sua vida.

A cerimónia decorreu no auditório do CHUC, que ficou completamente cheio, com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e do ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernnades, entre muitas outras individualidades. 

Na sua “última lição”, intitulada “Uma vida com o coração nas mãos”, Manuel Antunes, que se emocionou várias vezes, falou da sua família – à qual pretende agora conseguir dedicar mais tempo –, da sua vida, desde que a infância e a adolescência, em Moçambique, do trajeto profissional, até aos dias de hoje, e agradeceu aos seus mestres. Como disse, gracejando, fez “uma selfie” da sua vida, em vez de uma lição científica, sem deixar de explicar a escolha da área de trabalho – o coração, “o nosso órgão mais glamoroso”. 

Elogios ao cirurgião

Os elogios ao homem e à obra que construiu foram unânimes nos discursos que antecederam a “última lição” de Manuel Antunes. 
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, começou por realçar as muitas qualidades de Manuel Antunes, reconhecendo “um excecional percurso de vida”. 

A TODO O VAPOR: Como é possível que um homem da ciência com o nível profissional do Professor Manuel Antunes, por ter 70 anos e mesmo contra a sua vontade é obrigado a deixar um Serviço que criou e no qual ele próprio queria continuar. 

Quando assistimos que certas personalidades reformam-se e depois vão acumulando cargos em dezenas de empresas, esta eminente personalidade que dedicou toda a sua vida ao SNS é convidado a mostrar a sua arte e profissionalismo em várias partes do mundo, no seu próprio país o S N S dispensa-o. 
Alguém que saiba me esclareça... 



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