sábado, 21 de julho de 2018

SALGADO DESVIOU MILHÕES PARA FAMÍLIA E AMIGOS, ACUSA BANCO DE PORTUGAL….


Em Fevereiro de 2014, altura em que o Banco Espírito Santo (BES) apresentava prejuízos recorde, Ricardo Salgado admitia um novo aumento de capital afirmando que "há capital disponível para os reforços necessários sem usar dinheiro do Estado". Dias antes, o BES emitia €400 milhões em obrigações que depois de várias operações permitiria ao fundo Zyrcan obter uma mais-valia de €64 milhões e ao ECT €142 milhões, o que levava a sociedade Eurofin a ganhar 206 milhões de euros que representavam perdas para o BES. A acusação do Banco de Portugal explica como o BES recorreu ao Eurofin e como os ganhos que resultaram dessas operações foram usados "em larga medida" para "servir os interesses exclusivos do Grupo Espírito Santo (GES), sacrificando o património do BES, o dos seus depositantes, investidores e demais credores".

A Eurofin foi uma empresa que movimentou dinheiro entre diversas unidades do Grupo Espírito Santo (GES), de formas que eram difíceis de detectar por terceiros. Segundo a acusação do Banco de Portugal, a que o Expresso teve acesso, Morais Sarmento, ex-administrador financeiro do BES, concebeu uma operação em que "deu instruções para a implementação e acompanhou a execução de um plano, o qual foi aprovado e acompanhado (...) por Ricardo Salgado", através do qual o diferencial entre o que os clientes pagaram e o que o BES recebeu foi apropriado pela Eurofin.

A Eurofin recorria a sociedades como a Zyrcan, a Martz Brenan, a ECI e a ECT, para realizar as operações que eram decididas na sede do BES, em Lisboa, por Ricardo Salgado, Amílcar Morais Pires e funcionários do BES do Departamento Financeiro, de Mercado e de Estudos. 


Todas estas operações eram feitas à revelia de "outros administradores do BES, autoridades, investidores e público em geral", pode ler-se na acusação citada pelo semanário. A Eurofina terá sido usada para esconder e financiar investimentos da família Espírito Santo; para financiar investimentos de pessoas e entidades próximas do GES; esconder activos de elevado risco de desvalorização; manipular o valor e procura das ações do BES e da Espírito Santo Financial Group (ESFG); para esconder participações sociais estratégicas do GES e ainda para pagar salários, bónus e comissões

Entre os principais beneficiários do esquema, segundo Banco de Portugal, foi a Ongoing, de NunoVasconcellos e Rafael Mora. A passagem de dinheiro para esta empresa eram feitas através de contratos de opções forjados de forma a que quando os mesmos eram executados, "o valor que era perdido por uma entidade e apropriado pela outra já se encontrava determinado, de forma a originar uma transferência de dinheiro da primeira para a segunda". Este esquema de opções foi amplamente usado para movimentar dinheiro de e para a Eurofin sem que fossem levantadas suspeitas. Mas também a Prinvest de Eduardo Rodrigues também foi financiada pelos esquemas com a Eurofin em pelo menos 48 milhões de euros.

JÁ FOI PRESO???

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