domingo, 25 de julho de 2021

ÓBITO... HOJE DIA 25, ABRIL FICOU MAIS POBRE

MORREU O ESTRATEGA DO 25 DE ABRIL 
OTELO SATAIVA DE CARVALHO


Comando das operações do 25 de Abril de 1974

 Otelo Nuno nasceu a 31 de agosto de 1936 em Lourenço Marques (agora Maputo).

Responsável pelo sector operacional da Comissão Coordenadora do MFA, foi ele quem dirigiu as operações do 25 de Abril, a partir do posto de comando clandestino instalado no Quartel da Pontinha, de 24 a 26 de abril de 1974. Foi, portanto, além do estratega, um dos Comandantes Militares do 25 de Abril.

 Entre as várias decisões que teve de tomar, junto com os outros militares ali presentes (Sanches Osório, Fisher Lopes Pires, Vítor Crespo, Garcia dos Santos, Luís Macedo e outros que foram chegando),[17] esteve a aceitação de que fosse Spínola a receber o poder das mãos de Marcelo Caetano, em vez de alguém do MFA. Spínola telefona diretamente a Otelo, que põe a questão aos outros que lá estavam, incluindo Vítor Alves e Franco Charais. Otelo autoriza Spínola a representar o MFA (com a conivência dos presentes), algo pelo qual vem a ser criticado mais tarde por outros elementos do MFA, como por exemplo Vasco Lourenço

 Otelo também seguiu de perto os acontecimentos do Largo do Carmo, tendo sido ele que escreveu a ordem manuscrita para que Salgueiro Maia iniciasse o fogo contra o Quartel do Carmo.

 Os acontecimentos, hora por hora, do dia 25 de abril de 1974 foram contados por Otelo Saraiva de Carvalho no seu livro intitulado O dia inicial: 25 de Abril hora a hora, além do que já tinha sido referido em Alvorada em Abril. Também protagonizou um filme a contar essa noite.

 Um dos poucos objetivos do Plano Geral de Operações do 25 de Abril que não foi atingido, aliás com consequências funestas, foi a tomada da PIDE/DGS por um grupo de comandos, devido à recusa de Jaime Neves de a tentar, o que levou à alteração do Plano final, e a variadas démarches no seio das Forças Armadas afetas ao 25 de Abril.

 CARREIRA MILITAR

Oficial do quadro permanente da Arma de Artilharia, foi promovido ao posto de major em 1 de Setembro de 1973.

 Por portaria de 10 de Abril de 1984, foi promovido a tenente-coronel, com efeitos reportados a 21 de Novembro de 1980.

 Em Abril de 1984, em reunião ordinária do Conselho de Arma de Artilharia, integrando o primeiro terço da lista de tenentes-coronéis de arma a promover, foi favoravelmente apreciado como apto à promoção a coronel.

 A sua promoção a coronel foi interrompida devido ao seu envolvimento no processo das FP-25. Só em 21 de Abril de 2009, foi promovido a essa patente, com antiguidade a 19 de Maio de 1986.

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